Segundo Biólogo Britânico,o gato deve assumir o posto de bicho mais popular do mundo neste século.
Gato: o animal ideal do século XXI
Sagrado no Egito Antigo e perseguido na Idade Média.
No livro 'Cat Sense', o biólogo John Bradshaw revela o
significado do comportamento felino e mostra como foi sua evolução ao
longo da história
(Thinkstock)
"Gatos e cachorros apelam a diferentes partes da natureza
humana. Os gatos oferecem um vislumbre da vida selvagem, enquanto os
cachorros oferecem lealdade e submissão" John Bradshaw, biólogo
Em seu livro Cat Sense (Sentido do gato), lançado em setembro de 2013 nos Estados Unidos e inédito no Brasil, Bradshaw usa as últimas pesquisas científicas para explicar o comportamento dos bichanos e defender a tese de que eles são os companheiros ideais para o homem da atualidade.
Ainda existem mais cachorros do que gatos no mundo: são 335 e 260 milhões, respectivamente, segundo a consultoria de mercado internacional Euromonitor, em uma estatística de 53 países. Mas a população felina cresce mais do que a canina e, em nações como Estados Unidos, França e Alemanha, já é maioria. No Brasil, de acordo com a Associação Brasileira de Indústria de Produtos para Animais (Abinpet), vivem 37 milhões de cachorros e 21 milhões de gatos. Na proporção em que aumentam nos últimos anos – duas vezes mais do que os cães – os bichanos devem assumir a dianteira do ranking daqui a dez anos, segundo a Abinpet.
Popular, mas selvagem – Cada vez mais numerosos como bichos de estimação, os gatos permanecem essencialmente selvagens. Estão dentro de nossas casas, mas continuam com as quatro patas fincadas nas florestas onde seu ancestral, o Felix silvestris, caçava – e ainda caça – pequenos animais, sozinho e livremente.
O motivo pelo qual gatos não são leais e obedientes como os cachorros é evolutivo. Domesticados há cerca de 11 000 anos, na Europa, os cães foram sendo moldados pelos homem. Aqueles que exibiam características mais úteis ao convívio humano — capacidade de caçar, pastorear rebanhos, defender territórios, fazer companhia — foram acolhidos, passaram sua herança genética adiante e são os ancestrais dos que conhecemos atualmente. Já os gatos começaram a morar dentro de casa há cerca de 4 000 anos, no Egito – embora convivam com o homem há aproximadamente 10 000 anos.
Bradshaw diferencia gatos totalmente domesticados – aqueles que têm a reprodução controlada pelos humanos, como os com pedigree, minoritários – dos de rua, que se reproduzem sozinhos e têm o comportamento semelhante aos selvagens. Nas próximas décadas, com a intervenção humana na criação de novas raças adaptadas à vida doméstica contemporânea, os gatos provavelmente abandonarão algumas de seus traços selvagens. "Os gatos foram domesticados pela única razão de controlar o número de ratos. Interessava manter o seu comportamento selvagem", disse Bradshaw ao site de VEJA. "Hoje eles são principalmente um animal de estimação, e acredito que ainda neste século seu processo de domesticação será completado."
A convivência entre gatos e humanos na história
Um bom caçador
Há 10 000 anos, quando surgiu a agricultura, os humanos que começa-
ram a armazenar grãos, que atraíram ratos. Predadores naturais dos
roedores, os gatos selvagens se aproximaram dos acampamentos e
foram a melhor forma de controlar a praga. A primeira evidência da
relação mais próxima entre homense gatos veio em 2001, quando
uma equipe de arqueólogos do Museu de História Natural de Paris
descobriu no Chipre um esqueleto de gato (semelhante ao gato
selvagem africano, à dir.), enterrado há 9 500 anos em um túmulo
perto ao de um humano. O enterro em locais próximos sugere que
a relação entre os dois era estreita. Ainda levaria milênios, no
entanto, para os gatos serem considerados animais de estimação.
ram a armazenar grãos, que atraíram ratos. Predadores naturais dos
roedores, os gatos selvagens se aproximaram dos acampamentos e
foram a melhor forma de controlar a praga. A primeira evidência da
relação mais próxima entre homense gatos veio em 2001, quando
uma equipe de arqueólogos do Museu de História Natural de Paris
descobriu no Chipre um esqueleto de gato (semelhante ao gato
selvagem africano, à dir.), enterrado há 9 500 anos em um túmulo
perto ao de um humano. O enterro em locais próximos sugere que
a relação entre os dois era estreita. Ainda levaria milênios, no
entanto, para os gatos serem considerados animais de estimação.
É desejo recente querer que eles sejam apenas companhia e não
matem
os animais que entram pela janela. Até os anos 1980, muitos
gatos
domésticos ainda precisavam caçar para manter a dieta balanceada.
Somente nessa época pesquisas científicas revelaram que gatos têm
imperativos nutricionais diferentes dos cães – enquanto os cachorros
são
onívoros (consomem animais e vegetais), os felinos são exclusivamente
carnívoros. Hoje, a indústria oferece alimentos que os deixam realmente
satisfeitos — um passo essencial para que o impulso de caçar, que supre
com a carne fresca de passarinhos ou roedores necessidades alimentares,
possa ser controlado.
Paixão por felinos – A explicação para o amor
crescente dos homens pelos gatos
pode estar em uma característica
inerente à espécie. "Eles despertam em nosso cérebro
um instinto de
cuidado. Os traços mais óbvios que provocam esse fenômeno são o
rosto
redondo, a testa larga e os grandes olhos, que nos recordam um bebê
humano",
afirma Bradshaw.
Talvez seja por isso que, historicamente, gatos estão relacionados a mulheres e homens, a cães. Pinturas egípcias feitas há 3 300 anos mostram gatos sentados embaixo da cadeira de suas donas, enquanto cachorros estão sob o assento do homem da casa. Em Roma, a preferência era a mesma e, por séculos, os animais foram relacionados a divindades como as deusas Bastet, no Egito, Artemis, na Grécia e Diana, em Roma. Na Idade Média, especialmente depois da bula papal de 1233, a associação com gatos deixou de ser positiva: foram muitas as donas de gatos queimadas como bruxas.
Entenda o comportamento dos gatos
Pedir carinho
A maioria dos gatos gosta de receber carinho na cabeça porque essa
é a região em que frequentemente recebe as lambidas de amigos de
sua espécie – esse é um ritual de amizade e confiança entre eles. Nos
humanos, o ritual é substituído pelo cafuné. Pedir um chamego é uma
maneira de estreitar a relação com o dono.
é a região em que frequentemente recebe as lambidas de amigos de
sua espécie – esse é um ritual de amizade e confiança entre eles. Nos
humanos, o ritual é substituído pelo cafuné. Pedir um chamego é uma
maneira de estreitar a relação com o dono.
Mitos derrubados – Com o histórico de três décadas de pesquisas sobre comportamento animal (é também autor de Cão Senso, publicado
em 2012 pela editora Record) e o apoio de cientistas que estudam
biologia e DNA felino, Bradshaw aborda lugares comuns como o de que cães
e gatos se detestam ou de que o gato não gosta do dono, mas da casa.
"Gatos e cães eram inimigos naturais quando vagavam pelas ruas. Na
condição de animais de estimação, podem ser amigos", afirma. A relação
harmoniosa acontece se os animais se conhecerem ainda filhotes: o gato
com até oito meses de vida e o cachorro com até três meses.
A ciência também confirmou que os bichanos se vinculam primeiro aos
lugares e depois às pessoas. Esse é um legado do animal selvagem do qual
descendem, uma espécie fortemente territorialista. "Um gato precisa
saber que está em um lugar seguro antes de poder expressar afeição por
seu dono, mas isso não significa que ele não goste do proprietário.
Sabemos disso porque eles se comportam com seus donos exatamente como
com outros gatos dos quais gostam – cumprimentam levantando seus rabos e
esfregam suas bochechas e costas um no outro."
Para o biólogo, a palavra certa para descrever a emoção que o gato experimenta em relação a seu dono é "amor". As mesmas alterações hormonais que indicam que humanos sentem emoções se manifestam em bichos. "O senso comum diz que, se um animal que tem a estrutura básica cerebral e o sistema hormonal igual ao nosso parece amedrontado, ele deve estar experimentando algo muito parecido com medo – provavelmente não o mesmo medo que nós sentimos, mas medo de qualquer forma", escreve em seu livro. Assim, Bradshaw se posiciona nos círculos científicos que afirmam que animais experimentam sentimentos como amor, medo, tristeza, alegria ou prazer.
"Houve algo semelhante a uma revolução na ciência do bem-estar animal, que admite que todos os mamíferos, provavelmente todos os vertebrados, têm vidas emocionais complexas. Não só podemos usar esse conhecimento para evitar sofrimento, mas também para assegurar que todos os bichos, de estimação ou de laboratório, vivam mais felizes", afirma.
Para o biólogo, a palavra certa para descrever a emoção que o gato experimenta em relação a seu dono é "amor". As mesmas alterações hormonais que indicam que humanos sentem emoções se manifestam em bichos. "O senso comum diz que, se um animal que tem a estrutura básica cerebral e o sistema hormonal igual ao nosso parece amedrontado, ele deve estar experimentando algo muito parecido com medo – provavelmente não o mesmo medo que nós sentimos, mas medo de qualquer forma", escreve em seu livro. Assim, Bradshaw se posiciona nos círculos científicos que afirmam que animais experimentam sentimentos como amor, medo, tristeza, alegria ou prazer.
"Houve algo semelhante a uma revolução na ciência do bem-estar animal, que admite que todos os mamíferos, provavelmente todos os vertebrados, têm vidas emocionais complexas. Não só podemos usar esse conhecimento para evitar sofrimento, mas também para assegurar que todos os bichos, de estimação ou de laboratório, vivam mais felizes", afirma.
Nos próximos anos, os humanos
devem conviver com gatos mais sociáveis, menos ansiosos e mais
carinhosos. Eles, provavelmente, serão mais caseiros do que os gatos de
hoje, pois cada vez menos terão a necessidade de caçar.
A ciência que estuda o comportamento animal fará do gato um animal
melhor adaptado à sociedade contemporânea com a ajuda de uma técnica
que, até hoje, é dificilmente adaptada aos gatos: o adestramento, tema
do próximo livro de Bradshaw. Ele pretende ensinar, por exemplo, como
persuadir um gato a ser amigo de outro ou fazer um animal arisco aceitar
pessoas que não conhece.
Para o biólogo, apesar de tudo, o gato do futuro não será uma criatura tão dócil e mansa como o cão. "Gatos e cachorros apelam a diferentes partes da natureza humana. Os gatos oferecem um vislumbre da vida selvagem, enquanto os cachorros oferecem lealdade e submissão", afirma.
Para o biólogo, apesar de tudo, o gato do futuro não será uma criatura tão dócil e mansa como o cão. "Gatos e cachorros apelam a diferentes partes da natureza humana. Os gatos oferecem um vislumbre da vida selvagem, enquanto os cachorros oferecem lealdade e submissão", afirma.
Fonte: Rita Loiola

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