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Gatos proliferam nos presídios



Gatos são vitimas de maus tratos em presídios no Ceará


 
Se os animais pudessem me entender,
gritaria alto e desesperadamente:
cuidado com os homens, pois são a única
espécie que mata por prazer?

 
Atualmente existe no interior dos presídios e casas de custodias do Estado do Ceará uma enorme proliferação de gatos, que só se agrava com o passar dos anos, fazendo com que os mesmos sejam vítimas de maus tratos, praticados tanto por agentes penitenciários como por uma grande parcela da população carcerária, que os consideram uma praga. Praga essa, segundo eles, que deve ser exterminada logo, com métodos arcaicos e desumanos, se preciso, pois a única coisa que sabem fazer é espalhar sujeira e transmitir doenças através da urina e fezes espalhadas nos corredores, quadrantes, refeitórios, pátios e no interior das celas onde repousam os detentos.

Todas as noites, principalmente durante as madrugadas, os gatos têm o costume de entrar nas celas à procura de restos de comida ou então para roubar carnes trazidas pelos familiares nos dias de visitas. Na fome, chegam a destampar e abrir vasilhas para depois saírem apressados carregando pedaços de carne ou bife na boca. Outros na calma, comem ali mesmo, e aproveitam a oportunidade para marcarem território urinando em objetos, paredes, lençóis c colchões, isso, sem contar às vezes em que as gatas se escondem debaixo das pedras (camas de cimento) para parir, deixando os presos furiosos quando acordam pela manhã. Ocasião em que descarregam a fúria no primeiro gato que encontrarem pela frente. Já outros tentam passar a noite acordados, armados com coçocos (facas), barras de ferro, paus e pedras, tentando pegá-los em flagrantes. É bastante comum encontrar gatos com olhos furados, patas quebradas, agonizando ou mortos.

Ninguém pode maltratar os gatos que tem seus donos, porque corre o risco de ser esfaqueado ou de levar barradas de ferro na cabeça, pois há quem defenda seus gatos com unhas e dentes e alguns já chegaram ao extremo, ao ponto de matar seus próprios companheiros. Muitos gatos foram adotados por detentos quando ainda eram filhotes, portanto, acostumados a uma vida quieta e sossegada com direito a comer bifes e a dormir em cima de colchões. Isso, até seus donos serem postos em liberdade ou transferidos para outras unidades. Esses são os gatos que mais sofrem porque dificilmente vão encontrar outros donos que lhes ofereçam as mesmas mordomias e proteção. Muita das vezes em um presídio não é respeitado os mais ricos ou fortes, e sim, os mais corajosos, portanto, às vezes os donos dos gatos estão por cima, outras vezes, por baixo.

Histórias contadas envolvendo gatos nos presídios podem literalmente ser escritas com sangue, já que muito sangue tanto humano como animal foi e continua sendo derramado em acirradas discussões e conflitos onde os gatos figuram como os principais atores. Eis aqui três histórias que aconteceram no interior do Instituto Presídio Professor Olavo Oliveira II ? IPPOO II -, nas vivências 03, 07 e 08:
Na vivencia 07, uma gata chamada "Miquitinha", havia sido adotada por um detento quando ainda era filhote, mas passou muita fome depois que seu dono foi posto em liberdade. Vivia de cela em cela na esperança que alguém lhes desse algo para saciar a fome. Como ainda não havia perdido o costume de entrar e sair da cela a hora que quisesse, recebeu a culpa quando desapareceu um pedaço de carne do prato de um preso. O elemento com frieza esperou que ela aparecesse e num ato de covardia desferiu-lhe uma paulada no rosto, deixando-a cega de um olho. Dias depois ela voltou para o mesmo lugar como se nada tivesse acontecido. O mesmo elemento que havia cegado-lhe o olho coloco-a dentro de uma sacola plástica, amarrou e jogou para cima do muro, mas ficou enganada no arame farpado. Com muita dificuldade conseguiu sair de dentro da sacola e se livrar do arame farpado, ainda que muito ferida e bastante ensangüentada. Dias depois ela morreu de um aborto provocado por um chute na barriga dado por outro elemento.

Na vivencia 03, uma gata chamada "ceguinha", completamente cega dos dois olhos, entrou inocentemente numa cela onde se encontravam oito elementos. Um deles pego-a pelo rabo e começou a rodar, dando voltas inteiras para depois lançar em direção ao portão, segundo eles, para ver se ela passava por entre as grades. Fizeram isso repetida vezes, rindo alto e divertidamente, até a mesma, num descuido dos mesmos, fugir desesperadamente batendo com a cabeça nas paredes.
Na vivencia 08, um gato chamado por todos de "gato preto"ou "feridento" é conhecido como o gato que "ressuscitou dos mortos". Cor preta, aparência de velho e cara de sofrimento, o corpo cheio de cicatrizes que vão do rabo até a cabeça e feridas, muitas feridas, algumas não cicatrizam nunca como as que começam no pescoço e sobe pelos dois lados do rosto chegando até as orelhas. É odiado por entrar nas celas para roubar carne e também por urinar em lençóis e colchões. Numa noite ele entrou em uma das celas e quando se dirigia ao banheiro foi inesperadamente atingido com uma pedrada na cabeça. Desorientado, correu não para fora, mas para debaixo da pedra. Foi o tempo que outro preso se levantou, acendeu a luz e ficou de guarda no portão para que ele não fugisse. Pegaram um pau e o cutucaram para que ele saísse debaixo da cama. Quando saiu correu em direção ao portão, mas parou quando viu o outro preso na sua frente. Foi atingida novamente na cabeça, dessa vez com um pedaço de pau, a dor deve ter sido grande, pois caiu no chão todo se tremendo. Continuaram dando várias pauladas, agora em todo o corpo, quando pararam viram que ele ainda estava vivo, pois respirava lentamente. Pegaram a pedra que havia lhe atingido pela primeira vez e começaram a bater na sua cabeça até ele parar de respirar, depois o puseram no chão do banheiro para que pela manhã fosse jogado no lixo. Mas quando o dia amanheceu, para surpresa de todos, encontraram no lugar onde estava o gato morto apenas uma poça de sangue, o gato havia sumido. Dias depois ele apareceu ... Mais sofrido do que antes, aparentemente cego de um olho, mais lento, mais sofrido. Depois disso nunca mais foi visto dentro de uma cela, contudo, continuou a sofrer atentados de morte, pois mesmo de dentro das celas os presos jogavam em cima dele panos pegando fogo, água quente, paus e pedras.

A Secretaria de Justiça- SEJUS-, o Ministério Público - MP, bem como todas as autoridades que fazem parte do Sistema Penitenciário do Estado do Ceará, devem abrir os portões para que órgãos do poder público e ONGs relacionadas à defesa e proteção dos animais atuem se possíveis, com as Comissões do Meio Ambiente da Assembléia Legislativa e da Ordem dos Advogados do Brasil-OAB/CE, no sentido de resgatar esses animais, já tão sofridos, das mãos de pessoas que estão presas, cumprindo penas as mais diversas, e se acham com o livre arbítrio de praticarem todas as formas de crueldades e maus tratos contra essas pobres criaturas que assim como nós, lutam pela sua própria sobrevivência. 
 
 
 
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